Aprender coisas novas com o intuito de melhorar minha qualidade de vida
e o meu rendimento, foi um hábito que tive desde criança. Sempre que alguém me
convencesse de algo que poderia me auxiliar de alguma maneira, dentro do possível,
eu já costumava aplicar na minha rotina. Fazia isso em todos os aspectos, como
por exemplo, higiene, alimentação, atividades físicas, técnicas de estudo e
trabalho.
Diante desta situação, além de perguntar para pessoas mais experientes,
costumava pesquisar em livros, revistas e na internet. Procurava ser bem aberta
para diversas informações, e algumas vezes, acabava não filtrando devidamente aquilo
que compartilhavam comigo. Entendia que se a pessoa era especialista ou
experiente em determinada área, era suficiente para que eu desse credibilidade
e acatasse a dica.
Fui bem aberta até o dia em que fiquei com catapora. Quando peguei
catapora, a situação foi horrível e meu rosto ficou desfigurado. Eu não
suportava olhar no espelho e pensava que nunca mais voltaria ao normal. Só no
rosto eu tinha mais de cinquenta bolinhas.
Assim que as bolinhas apareceram, fui a um médico e ele disse que eu
deveria permanecer em casa enquanto estivesse com bolhas, pois o risco de
contágio estava nas bolhas. Ele deu algumas orientações e seguimos, contudo,
não ajudaram muito e estava demorando para melhorar, parecendo que estávamos
fazendo algo errado. Portanto, algum tempo depois, fomos a outro médico. Esse
disse que eu deveria permanecer em casa, pois logo começaria a secar e o risco
de contágio aconteceria agora, quando as bolhas estariam abertas e secando. E
as orientações de cuidado foram diferentes.
O mesmo ocorreu quando tive conjuntivite. Logo que surgiram os sintomas,
me levaram ao médico. O médico me orientou a usar um colírio e lenços de papel
para limpar. Passei uma semana inteira em casa, e além de não melhorar, passei
para o outro olho. Eu não suportava mais ficar sem ir para a escola, eu amava
estudar e estava entediada. Portanto, fomos a outro médico. Este disse que eu
não deveria ter usado colírio, pois eu contaminava o colírio, e cada vez que eu
pingava, passava a conjuntivite de volta para os meus olhos. Para seguir a
segunda orientação, parei de usar e logo passou. Até ouvi depois de outras
pessoas, que tiveram conjuntivite e precisaram usar colírio, no entanto, foram
orientadas a pedir que outra pessoa pingasse e de uma distância que não
contaminasse o produto.
Enfim, a questão é que essas situações tão simples, me levaram a
perceber que muitas informações são muito convincentes e eu precisava ser mais
cautelosa. Cada pessoa consegue explicar e justificar o seu ponto de vista, e
em alguns casos, isso pode ser muito perigoso. Desta forma, passei a tomar mais
cuidado com tudo o que pesquisava e ouvia, em todos os meios possíveis.
A faculdade foi um lugar que precisei aprender a filtrar tudo o que me
ensinavam, pois havia muitas teorias distintas, bem como ensinos que eram
opostos, ao mesmo tempo que complementares. Estudei administração, e enquanto
havia a matéria de economia, que ensinava a planejar toda a parte financeira
diante de um cenário não apenas interno, mas um contexto geral de mercado;
havia também a matéria de empreendedorismo, que defendia a ideia de arriscar com
ousadia.
As duas matérias eram muito relevantes e bastante convincentes. No
entanto, no passado tive a experiência de assistir o meu pai sendo um
empreendedor que deu passos maiores do que as pernas. E que apesar de ter sido
treinado por um pai que seguia a risca os princípios que a economia defende, ele
optou em trabalhar com o dinheiro dos bancos, como havia aprendido no meio
acadêmico. Não que seja errado empreender, de maneira alguma, a questão é que é
preciso planejar os riscos que se está disposto a correr e estudar os cenários
que podem se apresentar, estando preparado para os mesmos.
Algo que percebi na faculdade, é que muitos dos meus professores
ensinavam apenas conceitos que haviam aprendido. Na verdade, esse era o papel
deles, eles eram professores e não necessariamente administradores. Só que
também tive professores que eram pessoas experientes e optaram em ser
professores, com o intuito de compartilhar as experiências que tiveram. Desta
forma, aproveitei muito para perguntar a estes professores como as coisas
funcionavam na prática. Como eu já trabalhava quando comecei a estudar, pude
aprender na teoria já tendo um pouco de experiência prática e isso me ajudou a
ser mais realista, pois os conceitos teóricos são muito inspiradores, já no dia
a dia da empresa, as coisas não são tão simples como parece.
No primeiro ano da faculdade, meu professor de economia compartilhava as
experiências de poupança que ele havia tido, bem como os benefícios disso; não
apenas na família, mas num contexto empresarial. Já a minha professora de
empreendedorismo, quando perguntei a ela, em particular, quantas vezes havia
assumido riscos na empresa como ensinava, ela disse que era apenas uma
consultora e não tinha uma empresa, tampouco havia arriscado algo algum dia.
Assim sendo, dei mais credibilidade para o professor de economia.
O mesmo cuidado passei a aplicar nas minhas pesquisas na internet.
Comecei a não me basear mais em um site apenas, e sim, em vários, com posições
diferentes. Até achei engraçado, pois no início, olhava os artigos no google, e
os primeiros da lista de pesquisa já se contradiziam nas suas afirmações. Além
de pesquisar, passei a fazer testes e ver na prática se as coisas funcionavam.
Um dia comentei com uma amiga que comer amendoim me dava espinhas. Algum
tempo depois, ela veio me dizer que havia lido um artigo que comprovava que
comer amendoim não dava espinhas. Não questionei nada, todavia, mesmo que o
artigo afirmasse isso, eu não tinha espinhas e quando as tinha, era porque
comia amendoim, por conseguinte, amendoim me dava espinhas.
Existem muitos conceitos e teorias, contudo, a prática e a realidade são
sempre mais relevantes. Sempre que aprendo algo com alguém, verifico
primeiramente a veracidade daquilo e a possibilidade de aplicação, assim que
vejo que serve para a pessoa, acredito que talvez possa servir para mim também.
Acredito que se eu não tiver esse cuidado, posso me prender à muitas coisas que
são ideais, só que não são possíveis de serem vividas, e isso pode me levar à
frustração.
Diante disso, tenho a prática de não escrever conceitos que possam levar
as pessoas a criarem fantasias ou expectativas irreais, bem como não escrever
coisas que apenas li ou aprendi com alguém. Escrevo a respeito daquilo que já
experimentei e posso afirmar que foi testado e aprovado. Lembrando que algo que
se adequou à minha vida, pode não se adequar à vida de outras pessoas.
A mídia é um dos meios de comunicação que mais exerce influência na
sociedade. Ela consegue manipular e influenciar as pessoas de maneira muito
eficaz, em especial, por meio de jornais e novelas. Percebo que muitos
programas, pegam as informações e apresentam aos telespectadores, da maneira
que desejam e com isso obtêm os resultados que esperam. A mídia molda a mente
das pessoas e as faz pensarem como “robôs”. Dependendo de como um fato é
apresentado, pode fazer parecer que o vilão é uma vítima e a vítima é um vilão.
Pode fazer parecer que o errado é certo, e o certo é um absurdo, afirmando que
tudo é relativo.
Muitas coisas são
relativas, no entanto, nem tudo é. E quando as pessoas deixam de ter convicções
pessoais e valores que proporcionam estabilidade de vida, tudo começa a virar
uma confusão e não se tem mais direção. A mídia ou qualquer outro meio de
comunicação, podem nos dar informações, entretanto, nós precisamos saber
filtrar o que serve ou não, não sendo ingênuos e deixando que nos manipulem com
a “massa”.
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