Desde que nascemos, estamos em
constante mudança. São mudanças no corpo, na mente, no coração, na visão, nas
ideias, nos desejos, nas expectativas, nos sonhos, nos planos, nas
preferências, nos interesses, nas prioridades, no estilo e diversas outras
áreas.
Algumas coisas que consideramos
absurdas em alguma fase, podem se tornar algo muito normal em outra. Aquilo que
achamos lindo, pode se tornar horrível. O que um dia foi um sonho, pode se
tornar um pesadelo. Algo que nos tirava o sono, em virtude de tanta
expectativa, pode perder o sentido e o valor, com o tempo. Somos humanos, e
estamos sujeitos à mudanças.
As mudanças fazem parte do nosso
desenvolvimento natural e podem nos transformar de maneira maravilhosa. No entanto,
nem toda mudança é para melhor, assim como nem toda mudança é fácil de ser
enfrentada enquanto está acontecendo. Geralmente é quando olhamos para trás,
que conseguimos valorizar o que algumas circunstâncias geraram em nós, mesmo
que tenham sido dolorosas.
Quando olhamos para a lua, por
exemplo, de qualquer lugar que seja, mesmo que esteja em fases diferentes, ela
é sempre a mesma, pois é algo "absoluto", como a Palavra de Deus.
Todavia, se olharmos para um outro lugar, como uma planta, nossa visão pode
mudar de acordo com a posição em que estamos, com o tamanho que ela tem, com a
iluminação, com o cenário ao redor dela, e até mesmo, com o estado do nosso
coração naquele momento, pois ele pode afetar a nossa atenção e disposição para
apreciar.
Da mesma forma ocorre em nossa vida,
precisamos manter os princípios que Deus estabeleceu, e ao mesmo tempo,
aprendermos a lidar com as situações mutáveis, para que não fiquemos presos.
Vamos utilizar alguns exemplos extremos: se hoje existe eletricidade, água
encanada, vaso sanitário, carro, avião, e vários equipamentos eletrônicos que
facilitam e muito a nossa vida, podemos aproveitar os benefícios. Contudo, não
é porque a tecnologia evoluiu e a liberdade tomou conta, que o pecado deixou de
ser pecado.
A questão é a perspectiva que
carregamos a respeito do pecado e como ela reflete nas nossas ações. Todos os
limites que existem, são para nos preservar com o intuito de podermos desfrutar
do melhor, e não para nos privar ou nos induzir ao castigo.
Quando uma nutricionista nos orienta
quanto à alimentação, ou um médico quanto ao cuidado com o corpo, não o fazem
para nos privar de comer o que gostamos, ou nos forçar a termos hábitos
saudáveis e práticas de exercícios; eles o fazem porque querem o nosso bem, e
conhecem as consequências naturais dos excessos e da negligência.
O mesmo Deus faz conosco: nos
instrui a nos guardar puros para o casamento, para que possamos ter uma vida
emocional e sexual plenas. Nos orienta a não fazer dívidas, para vivermos
livres ao invés de nos tornarmos escravos. Ensina que casamento é uma aliança,
porque sabe as consequências da quebra de uma aliança. Nos orienta a nos manter
longe do pecado, pois sabe que ele nos afasta Dele e dá autoridade ao inimigo
para nos acorrentar e retaliar. Tudo o que Deus faz, é para o nosso bem, porque
nos ama; e o trabalho do inimigo, é mudar a nossa perspectiva disso, nos
fazendo pensar que Deus está contra nós.
Deus permite que ocorram mudanças em
nossa vida, pois é através delas que vamos conhecendo mais a Ele, bem como
compreendendo qual o propósito Dele para a nossa vida.
Percebo isso intensamente na minha
vida. Quando era criança, amava ir à praia, não pela praia em si, mas porque
era o único lugar, e os únicos dias, em que meu pai ficava sozinho com a gente,
sem celular e sem computador. Eu esperava ansiosamente pelo meu aniversário,
pois minha mãe preparava as comidas especialmente para o meu dia, e eu ganhava
muitos presentes, o que significava que as pessoas me amavam. Eu ansiava fazer
provas na escola e participar de campeonatos, não pelas provas ou pelos
esportes apenas, e sim, porque gostava da sensação de tirar uma boa nota, assim
como a alegria da vitória. As viagens e aventuras também me proporcionavam
vida.
Meu humor e a minha alegria, estavam
sempre condicionados às minhas circunstâncias, e por isso, buscava sempre algo
para me suprir. E é claro, sempre procurava fazer tudo perfeito para não
precisar lidar com a dor, pois assim como as conquistas me faziam bem, os
fracassos afetavam à minha estabilidade.
Entretanto, não era assim que Deus
havia planejado que eu vivesse, dependendo das sensações de metas alcançadas ou
agendas cumpridas. Meus pais me amavam, cuidavam de mim; e nunca conheci um pai
que desse atenção e participasse da vida de um filho, como o meu pai fazia
comigo, no entanto, tudo isso ainda não era suficiente, pois meu pai não era
Deus para me suprir completamente.
Diante desta situação, todo o meu
cenário foi mudando, todas as minhas fontes de vida foram sendo tiradas, e não
tive mais aonde me segurar. Ao ser solta de todas essas "cordas",
sofri uma queda emocional e espiritual intensa, o que me gerou muito medo.
Enquanto estava caindo, minha vontade era morrer, pois não conseguia ter qualquer
esperança. Todavia, não sabia que lá embaixo, havia uma mão amorosa e calorosa
esperando para me segurar e me carregar, bem como me colocar no propósito pela
qual havia sido criada.
Foram os piores dias da minha vida,
só que hoje, preferia ter de passar tudo de novo, somente para não ter que
viver da maneira escrava que eu vivia. Era uma escravidão muito sutil, aonde os
meus sentimentos e as minhas emoções, eram quem controlavam a minha vida e me
tornavam medíocre em muitos sentidos.
Antes, eu conhecia Deus de longe e
conceitualmente, carregava uma visão toda distorcida a meu respeito, tanto na
autossuficiência quanto na incapacidade; e somente Deus poderia restaurar a
minha visão Dele, a meu respeito, e como consequência, das pessoas ao meu
redor.
Minha mente, minha visão, meu
coração e minhas prioridades, mudaram, e isso refletiu em todas as áreas da
minha vida, pois quando dentro muda, por fora, tudo se transforma.
Tudo aquilo que eu amava e me
proporcionava vida, perdeu o sentido que tinha, pois não precisava mais dessas
sensações para me sentir viva e completa; esse espaço foi suprido pelo dono
dele.
Hoje posso afirmar que nada se
compara a desfrutar do amor de Deus nos saciando, não de maneira conceitual,
mas de verdade. E as demais coisas, têm me servido somente para acrescentar, ao
invés de eu depender delas para ter sentido de viver. Deus realmente é
fantástico.
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